Num mar de reticências...
o que mais me faltam são palavras. Há muito que já não consigo falar sobre a bagunça que tem estado em minha mente, nas minhas gavetas e na minha vida.
Eu sempre preferi as palavras alheias: choro dores que não são minhas; sofro traumas que não são meus; faço minhas propriedades, e me projeto neles de alguma forma.
Quem me vê com essa alegria exagerada, e sorriso estampado na cara, na energia que parece não terminar, talvez não imagine que é no silêncio que me encontro de fato. Na falta das palavras; na música em outro idioma que eu insisto em esquecer dos significados, atribuo novos outros; até no som do mar batendo nas pedras, e no vento tirando ou colocando tudo no seu lugar...
Dando voltas porque é feio falar de insegurança. Bonito é chamar a solidão de amiga e convidá-la pra dançar, oferecer mais uma bebida e insistir para ela ficar. Mais fácil lidar só com a própria loucura e própria verdade
Nua e crua.
O que eu queria mesmo era uma forma de dizer que desisti de você.
Por falta de coragem, talvez. Tomei tua ausência como sinal - e eu, que sempre fui ruim com sinais.
Movida - ou paralisada - pelo medo da negativa explícita.
Seria mais fácil te olhar nos olhos e dizer...
Dizer? Dizer o quê?
Eu queria que você fosse capaz de me ler e decifrar, e entender o que não sou capaz de verbalizar
Porque eu simplesmente não consigo.
Chegando em casa encaro o rosto no espelho,
Nos olhos, uma tristeza que me é familiar,
a mesma dos cães de rua; dos homens de rua; dos loucos de algum lugar.
E de alguma forma me sinto sem teto, nunca tive lugar onde pudesse o coração repousar, e este, nunca conheceu o que é recíproco.
Só soube a vida inteira suspirar pelas luzes de desconhecidos, por árvores que dançavam com o vento, ou pelo luar. Talvez ele nunca tenha pertencido a esse lugar, fora acostumado a desejar o que está fora do seu alcance.
Desde sempre.

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