Escrevo pra ninguém
E para qualquer um.
A verdade é que eu não consigo dormir.
Há uns dois dias, talvez.
Você já passou por momentos em que sua cabeça gira em busca de soluções, mas nada encontra de eficaz?
Claro que sim!
A cabeça, temerosa, antecipa o que haveria de pior.

Estou a espera de uma má notícia, e não tem rima nem verso que poderia me consolar.

Há alguns dias que deito a cabeça no travesseiro e a mente me acusa.
Me acusa sobre a fraqueza que me habita.
Me acusa a insuficiência.
Quase sou capaz de ouvir as vozes de desaprovação:
"Você não é boa o suficiente"
"Não é bela o suficiente"
"Não é magra o suficiente"
"Não é inteligente o suficiente"
"Não é interessante o suficiente"
"Não é segura o suficiente"
Há uma voz, porém, que sufoca quase todas.
Não por ser mais sensata, mas por ser pior que todas.
É um tipo de tapa de realidade que mostra que nada sobre você importa.

Perigo iminente.

Estou exausta.
E nem é pelos dias sem dormir.
É pela sensação de improdutividade,
Pelo bloqueio criativo.
Impotência.
Não é fácil perceber que não é tão forte quanto se imaginava ser. Principalmente quando precisa ser mais do que se pensava.

Desista da clareza
Está tudo muito confuso aqui

Flertar com o precipício e manter-se firme onde está.
Mil coisas rondam minha cabeça esta noite.
E a dor só faz crescer.
E sufoca.
Não me recordo de tanto peso e pressão juntos assim.
Queria me retirar de mim
Por um instante.
Milhares de coisas rondam minha cabeça essa noite:
Água
Lâmina
Ar
Força
Carros
Mudanças
Saudade
Dor
Tesoura
Chão de terra
Curitiba
Corda
Música
Papel
Ele
Ela

Estou aguardando uma má notícia.
Gostaria de ser mais otimista,
Mas tenho medo de me iludir.
Gostaria de ser mais forte
Não depender de sorte...
O que eu queria mesmo era sumir.

Flertando com o precipício
Amor
Cores
Abraço
Sangue
Um beijo
A palavra não dita
Estou aguardando uma má notícia.
Perdão,
não sei como continuar.

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